Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Double-alaskan-rainbow.jpgO mundo, aos nossos olhos, reflete aquilo que nossa mente pode perceber em dado momento, isto é, de acordo com o que nossa consciência pode processar, pois está limitada por condicionamentos os mais diversos, os quais foram arraigados, interiorizados a partir de nosso nascimento. Fomos educados a agir, a reagir, em resposta ao que os sentidos de que somos dotados interpretam da realidade e de como ela pode nos afetar.
E assim, a nossa existência toma significado, pois nos tornamos parte da engrenagem social, política, religiosa, econômica etc. Neste contexto nos acomodamos, ainda que se diga existirem os inconformados, os reformadores, os revolucionários, que alteram aquelas ordens instituídas seja pelos métodos tradicionais que a história deixou registrado, sejam pacíficos ou violentos...mas, ainda assim, limitados pelo que nossos sentidos nos dizem ser a realidade do momento. Também há aqueles que permanecem no conforto da telinha de televisão, dela fazendo sua vida, um espelho irreal de outros.
A vida, porém, ainda um mistério a ser solucionado pela ciência, muito debatida pelos filósofos onde cada um formula modelos lógicos na dialética que constroem para demonstrar que alguém está equivocado e o outro certo; e, dogmatizada pelos religiosos na certeza de sua fé ortodoxa – Ela, apesar de tudo triunfa sobre todos, e sorri ante a pretensão humana.
A romper este firmamento nublado e conturbado pelas emoções, a vida revela toda sua beleza ao expressar-se em nossa mente de forma desconhecida. É na beleza das artes, nos insights, enfim, no processo creativo da mente em que se descortina um horizonte desconhecido de possibilidades aparentemente inexplicáveis.
Quando nos apercebemos de que tais expressões “interiores”, assim chamadas porque não resultam dos sentidos, pois que não provocadas por fenômenos extra corpore, chegamos à conclusão de que existe algo mais. À medida em que nos voltamos para novos paradigmas da existência faz-se necessário colocarmo-nos em alerta, em que a consciência se abre aos novos modelos, se permite a abandonar os padrões arcaicos, e assim sentir a expansão da percepção. É então que advém a responsabilidade pessoal por si e pelos demais, a disciplina interior passa a ser exigida para que se possa conquistar outro nível de consciência, em que passamos a vivenciar a sincronicidade, isto é, somos colocados em sintonia com outras pessoas e circunstâncias novas passam a fazer parte do nosso dia-a-dia, no processo de auto-transformação. É quando devemos “vigiar e orar”, pois assim como pensarmos e sentirmos, os resultados se farão evidentes, positiva ou negativa; é quando percebemos que colheremos o que plantamos mais cedo do que imaginávamos. Para isso é importante cuidarmos das nossas intenções, pois nelas a verbalização, a concretização do intencionado não terá tantas conseqüências quanto às que pensarmos, ou sentirmos, pois é no estágio imaterial, no campo da energia que afetaremos a nós e aos outros. Quando agirmos, principalmente quando houver outra pessoa em nossa intenção, mister se faz que nela emanemos amor, compreensão, sentimento de partilha, caso contrário o livre arbítrio fará auto-defesa e que implicará conseqüências desastrosas para seu emissor.
O processo, uma vez iniciado não se interrompe, pois batemos à porta e ela se abre; temos o livre arbítrio de abrir a porta para dentro ou para fora, se a abrirmos para dentro, seremos muito egoístas, pois somente queremos receber e não dar, e a responsabilidade ser-nos-á cobrada, e muitas vezes de modo dolorido; porém, quando a porta se abre para fora, o nosso amor transborda, o processo de creação se dinamiza num processo transformista das consciências e assim caminhamos rapidamente para a integração com a Totalidade do Ser.
Passamos a ser espelhos do Altíssimo no qual atraímos aqueles que necessitam reerguer-se do mundo animal para o espiritual, pois passamos a representar o Mundo Novo, é quando adquirimos força interior, saúde e profunda percepção de Deus.
Aqui chegamos ao grande questionamento que se chama Deus, pois toda essa experiência Nele desemboca, é onde o navio atraca, onde a âncora encontra apoio seguro contra as turbulências das águas da incompreensão.
Mas como falar de Deus, sem que para isso tenhamos que nos remeter aos conceitos que as religiões ortodoxas nos legaram e que nos aprisionaram. Somente pelo encontro pessoal Dele conosco, sem intermediários, é aqui em que o Mestre solta a mão do discípulo e o deixa ir, pois agora só depende dele não mais daquele.
Mas que caminho é esse, que disciplina é essa que faz do buscador um assaltante dos céus, que arromba sua porta.
Diz a Tradição que é na disciplina da Alma, no processo da meditação, quando aquietamos a mente, no Silêncio de Deus que Ele se revela.
Mas como é isso? Já me fiz essa pergunta por muitos anos, pois quantas vezes e por quanto tempo meditei sem resultado, quanta angústia.
É no sentir interior de que alguma coisa ou condição existe que manteve a fé no Imponderável, no Mistério, tantas vezes mencionado por aqueles que alcançaram a Realização e deixaram alguns sinais, alguns caminhos, como aquele Mestre que disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Talvez para ter sucesso nesta demonstração seja necessária a analogia, e a ela recorrerei agora, com uma experiência recentemente vivenciada.
Outro dia, na varanda de casa, sentado num dos seus degraus, acariciava minha companheira Lea, uma cachorrinha inquieta de pêlo marrom, macio e sedoso, de longo focinho a estreitar seus olhos luminosos, pouco distantes de suas longas orelhas que teimavam em escorregar pelo chão; olhei para o céu e observei que a lua iniciava o seu crescente. Estava magnífica contra o seu fundo escuro, cercada por esporádicas nuvens que encobriam-na temporariamente fazendo-a cintilar, à semelhança de um navio, a emitir sinais luminosos. Estava enviando seu amoroso recado que chegava com a fresca brisa da noite a tocar meu corpo, que num ímpeto seus pulmões acolheram-na, empertigando-o.
Vitalizado, observei a brisa acariciar também às árvores. Em delicado balouçar, num ritmo próprio, elas dançavam como se o Universo estivesse a tocar uma agradável sinfonia.
Recordei-me de uma passagem bíblica: "Deus é como o vento, ninguém sabe de onde vem, nem para onde vai.". E Ele vai, com o vento a percorrer todo o planeta. E o vento leva uma mensagem.
Assim como o vento, eu e você temos percorrido longos caminhos, como a procurar alguma coisa ou condição. Você não sente, não percebeu que ao fazer retrospectiva de sua jornada o único fato real foi a sua busca por Deus, ou por algo espiritual que fizesse algum sentido? Percebeu que essa foi a sua grande constante, tal como na matemática, a grande incógnita?
Esse vento, esse eu, esse você, não seriamos Ele mesmo, o Vento Divino?
Incrível, não é?
Consegue sentir o chamado?
Recordo-me de Joel S. Goldsmitt, quando Deus nele se manifestou:
“Ninguém possui uma mensagem pessoal. Não existe o que chamaríamos de mensageiro de Deus. Deus é Seu próprio mensageiro e aparece à consciência humana no exato instante da demonstração.”.
Finalmente, a grande pergunta que explode do coração: "que é Deus?".
Então, àquela indagação, respondeu: “EU SOU”!!!
“Deus é a mente e a vida do indivíduo.” .
Esse fato devemos comprovar em cada um de nós. A simples leitura não basta. É preciso ouvir Deus em Seu silencio para que possamos apreendê-Lo.
O silencio de Deus. Mas como ouvi-Lo? Assim me questionava enquanto a mão levava os dedos a revolver os cabelos, tal qual o arado a preparar a terra pronta para a semeadura.
Em breves segundos, como a entrar num vórtice dimensional, viajei no tempo, testemunhei como fomos e somos dirigidos e aprisionados mentalmente numa teia de incompreensões alimentadas por noções erradas que “têm sua origem principalmente nas crenças religiosas ortodoxas, ainda arraigadas em nosso pensamento”.
Liberto dos preconceitos sinto que o meu pensamento é o pensamento de Deus. E, a essa compreensão, me torno divino. Eu e o Pai somos um, mas o Pai é maior do que eu.
Simples assim? Simples assim!!!
É só isso? É!!!
Ao teclar estas frases, me contemplo, contemplo o EU SOU, o Deus em mim.
Em minha mente o silêncio impera. A meditação é constante, é consciente, e a carrego pelos caminhos do vento.
Àqueles que têm dificuldade em meditar, que não conseguem afastar o turbilhão de pensamentos e imagens, digo: compreendam que o seu pensamento, o seu falar, o seu agir, o seu caminhar, é Deus, e perceberão que a mente se aquietou, pois a mente que pensa também é a Mente que a criou, Deus. Deus presente, ilusão ausente. O ruído era o caos. Deus é o cosmos. O Cosmos é a lei de Deus.
Abraços.
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