Era uma tarde de primavera quando de repente a nostalgia de algo perdido há muito, muito tempo veio-me à consciência. Um sentimento de que era algo maior do que eu conseguia imaginar, mas o sentia intensamente. A lembrança remota de pertencer às estrelas – a uma delas, talvez noutra vida. Lembranças de combates intergalácticos, de viagens espaciais, seguido de um abismo escuro no qual o esquecimento do ocorrido era total. Meus olhos fitavam o horizonte da paisagem à minha frente, o céu azul, as colinas que se erguiam ao longe, a planície entrecortada por alguns vales, o vento refrescante a bater em meu rosto, mas, ao mesmo tempo, aquela sensação de outra dimensão que se fazia presente logo atrás das meninas dos meus olhos. Uma certa vertigem me acompanhava naquele momento, pois era como se uma porta dimensional se abrisse dentro de mim, permitindo-me contemplar com todos os sentidos a sua passagem delgadíssima como um filete de papel suspenso no infinito a me deixar sem chão. Nesse momento compreendi que não era daqui, mas não conseguia explicar o seu porquê. Tinha então 14 anos de idade, e ali começou uma jornada que ainda perdura... só que agora com algumas respostas!
Era a década dos anos 70 – anos incríveis -, em que surgira o Realismo Fantástico, tão bem descrito na obra “O Despertar dos Mágicos”, de Louis Pauwels e Jacques Bergier, como lê-se no seu prefácio:
“Estamos diante de uma obra singular. Manifesto, tratado, obra esotérica, história, ficção científica, narrativa romanesca, coletânea de curiosidades, "O despertar dos mágicos" pode ser todas essas coisas mas não se encaixa em nenhuma. É uma defesa de uma estranha maneira de encarar o mundo: o realismo fantástico.
Não confundir com o realismo mágico, gênero literário criado por escritores modernos sul-americanos como Jorge Luis Borges e Gabriel García Márquez, embora não deixe de haver alguma conexão.
O realismo fantástico, segundo os autores do livro, é a disposição de investigar o mundo sem os "preconceitos" ditados pelo "cientificismo" e o "intelectualismo" da era moderna. Nas palavras de Louis Pauwels: "Há superstições antigas e modernas. Para certas pessoas, nenhum fenômeno de civilização é compreensível se não admitirmos, nas origens, a existência da Atlântida. Para outros, o marxismo chega para explicar Hitler".
Em "O despertar dos mágicos", a Alquimia é levada a sério, e os resultados dos alquimistas, como transformar chumbo em ouro, podiam ser antecipações ainda mais sofisticadas das transformações nucleares da Física Moderna. A História é revista, podendo ser o produto de uma guerra entre sociedades secretas, regidas pelos "Superiores Desconhecidos".
Hitler e o nazismo seriam uma tentativa de uma sociedade mística prevalecer sobre outra tecnocrática. Contando assim, parece piada; mas os autores levam a cabo seus argumentos com elegância, profundidade e erudição, amparados num monumental trabalho de pesquisa. Uma leitura instigante que, no mínimo, poderá abrir alguns horizontes.”
Assim, no contexto dessa busca, - mais esotérica do que exotérica -, é que partilho o vídeo abaixo, como um resumo do que vivenciei na ebulição de minha adolescência, tão mal compreendida e muito criticada por alguns parentes, mas apoiada pelo meu falecido pai Antonio, ao qual expresso minha gratidão, mesmo que este desconhecesse junto com todos os familiares, por completo, a vocação secreta do meu avo Gustavo ao referenciar a obra que dele herdei pela minha tia Ivone - o livro “Aquém de Atlântida”, de Gustavo Barroso.
Abraços.
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